Feeds | Rss
Postagens
Comentários

Rondo todos os lares, rondo todos os bares, rondo todo mundo. Estou presente em todos os lugares que se tem notícia. Se não estou, é uma simples questão de tempo e interesse. Me aguarde que eu chego já. Sou a tal. Abrando a vida dos meus e infernizo a dos outros, conforme o que estiver em jogo. Faço, desfaço, mando, desmando.

Escuto os gritos de dor dos torturados nas câmaras ocultas das delegacias, mas só atuo quando por engano pegam um dos meus. Escuto o roncar da fome, mas prefiro o discurso de que só os burros morrem por desnutrição. Jogo no time da indiferença. Com a mesma indiferença vejo farrapos humanos morrerem nas filas em busca da cura para os seus males.

Sempre dou um jeito de livrar a cara dos amigos do peito que muito roubam e de prender e manter presos os anônimos que, para aclamar a fome dos seus, também roubam, embora sejam migalhas, afinal, alguém tem que servir de exemplo e a sociedade merece uma satisfação.

Outro dia permiti que se aumentasse a sangria do agonizante Velho Chico, que há muito pede socorro, mandando suas águas para aplacar a sede de lucro das grandes multinacionais produtoras de frutas, sem sequer me preocupar em sarar suas feridas. Mandei o ex-governador do Distrito Federal para casa. Permiti que um deputado do Paraná ficasse em liberdade mesmo após ter cometido um crime que culminou na bárbara morte de dois jovens…

Confesso: fiz e desfiz. Enriqueci muita gente e prejudiquei muitas outras. Fiz vistas grossas quando juízes venderam sentenças e quando policiais roubaram e mataram. Deixei que congressistas desonestos legislassem em causa própria e em prejuízo de toda a nação. Permiti, há pouco tempo, que militares deitassem e rolassem neste pais, prendendo, cassando, torturando e matando ao bel prazer. Dizem que sou cega, mas o peso dos anos me fez reconhecer que o pior cego é o que não quer ver.

Sou a Lei. Estou cansada de não contemplar os anseios da maioria. De não lutar em defesa daqueles a quem, em discurso, juro defender. Peço aposentadoria. Por favor, que em meu lugar venha e fique a tão sonhada justiça.

Gostou deste post ? Aproveite e assine meu feed-RSS, e acompanhe todas as novidades !!

Meu pai

Convivi muito pouco com meu pai. Não tive tempo de transformá-lo em herói nem de “matá-lo” na adolescência quando o meu EU já se firmava e pedia para crescer. A máquina ceifadora de vidas, que o próprio viver cria – já que para morrer incondicionalmente tem que se estar vivo – nos poupou dos aborrecimentos que o conflito de gerações trás.

Ele foi especial. Homem comum, mas muito além de sua época. Não fumava, não bebia, praticava esportes, bom esposo e excelente pai que ajudava nas tarefas domésticas e fazia questão de cuidar de suas crias. A gente adorava quando ele nos banhava, perfumava, vestia e saia para passear fazendo algazarras pelas ruas da nossa querida e pequena Limoeiro do Norte – que aos olhos infantis parecia uma metrópole sem fim. Era o mesmo pai que em dias de chuva corria com sua prole pelas poças de lama da cidade, louvando a água, a vida que ela representa e os momentos de felicidade que o estar juntos proporcionava.

Certa feita pulei com os dois pés numa poça de lama – sacanagem mesmo – a água espirrou e sujou uma senhora que vinha de sombrinha e vestida de branco. Ela me olhou com cara de poucos amigos e falou: vou contar pro seu pai! Ao que respondi: aproveita que ele está ali na outra poça…

Éramos sete filhos. Sete endiabradinhos que adoravam agarrar-se num louco e amado pai que, para desespero da esposa, atravessava o Jaguaribe a nado levando seus carrapatinhos grudados ao corpo.

Meu pai era daqueles sujeitos normais de sua época, para quem a palavra empenhada valia muito mais que qualquer documento escrito e firmado. Viveu num tempo em que ser honesto não era qualidade, mas obrigação de todos. Adorava a vida, a família, os amigos, a terra, esportes, cavalos e trens.

Morávamos bem próximos à estação ferroviária – como era gostoso ouvir o som dos trens e de tudo que os envolvia. Meu pai viajava muito de trem, e, na volta, sempre nos acenava com um lenço lá da curva. Era o sinal. Corríamos para a estação e tudo era só alegria.

Um dia um dos tão amados trens levou meu pai em mais uma viagem, mas dessa vez não o trouxe de volta.

Que saudade!!!

Gostou deste post ? Aproveite e assine meu feed-RSS, e acompanhe todas as novidades !!

Estou em João Pessoa, terra de gente boa, hospitaleira, alegre, querida, que vive muitas histórias e situações inusitadas. Fui conhecer o famoso bar Pé na Areia, o mesmo que anos atrás se chamava “Pau Duro”, mas que por imposição do poder público foi obrigado a mudar de lugar e terminou também mudando de ambiente e nome – o Pau Mole, seu arqui-rival, continua existindo (só na Paraíba pra pau mole ser rival de pau duro).

Foi no Pau Duro, epa, desculpem, Pé na Areia, que conheci uma muda que atende telefone. Só não sei se quem está do outro lado entende o que ela fala, mas que atende, atende. E como fala aquela muda… Também conheci uma bicha velha que se dizia virgem e brigava pelo suposto bofe de outra suposta bicha… nem queiram entender. Foi de matar de rir.

É assim: bar simples, tipo quiosque de beira-mar, mas que tem uma excelente cozinha de onde saem maravilhosos tira-gostos, o atendimento é bom e a cachaça boa – aliás, estou impressionado com a qualidade da cachaça da Paraiba. É divina -. No Pau Duro a gente fala direto com o dono e a descontração impera. É um bar democrático com clientela bem variada tanto em poder aquisitivo, idade, como em gosto musical, mas o que mais se curte são os antigos boleros e sambas dor-de-cotovelo do passado.

Caso você venha a João Pessoa, apareça no Pau Duro, digo, Pé na Areia, mas prepare o fígado para as risadas, e se tiver jeito para canarinho, o gogó para dar o recado na cantoria. Vai sem ensaio mesmo, pois o músico da casa, um simpático tecladista, só de zona já vai para mais de 50 anos. Já viu, né? Corre atrás de qualquer um na velha batida dos antigos cabarés…

Para comer, por indicação do meu amigo, anfitrião e cicerone Toinho, pedi um rubacão, versão paraibana do nosso conhecido baião-de-dois, que vem servido em cumbuca com charque frito por cima. Muito gostoso. Também tomei caldinho de ostra e de camarão. Tudo divino.

Para terminar o dia, outra preciosidade: a minha anfitriã, que é médica, disse que atendeu uma paciente que fez a seguinte queixa: doutora, tô com dor de cabeça no corpo inteiro….

Só na minha querida Paraiba…

Gostou deste post ? Aproveite e assine meu feed-RSS, e acompanhe todas as novidades !!

Hoje acordei e não sei por que cargas d’água liguei a televisão para ver o noticiário das sete. Logo de cara deparei-me com a podridão do espetáculo circense montado pela Rede Globo em cima das desgraças alheias que o caso Bruno causou, e que a todos entristece.

Estava lá um monte de gente que se diz “autoridade” dando os seus palpites e aproveitando bem e na maior cara-de-pau os minutos de “glória” e visibilidade que essa desgraça lhes dá.

A empresa televisiva botou em campo todo o seu time de “especialistas” pitaqueiros, cada um querendo aparecer mais que o outro e falando um monte de bobagens, que são repetidas à exaustão a cada minuto.

Ora, trata-se de um caso policial grave como tantos outros que nem lembrados são pela pouca audiência que causariam. Claro que deve ser noticiado, mas apenas noticiado. Não há necessidade de ficar tripudiando em cima com seus palpites e análises furadas apenas para prender audiência e de forma como quem presta um grande serviço ao país. Ninguém precisa de circo. Precisamos, sim, que a lei e a ordem sejam preservadas, que o caso seja seriamente investigado, que os culpados sejam levados a júri e a justiça, para o bem de todos, feita.

Ninguém deve estar acima da lei; e as instituições que em nosso nome representam a justiça têm que cumprir seu papel de forma eficiente, mas respeitando as dores da nossa ferida sociedade.

Somo minha tristeza a tristeza de toda a nação rubro-negra, que hoje sofre em dobro, por ter como ídolo um dos fracos homens que protagonizaram esse triste drama. Da mesma forma que repudio a farra que a grande mídia faz em cima dessa desgraça. Estão violentamente empurrando toda essa podridão para dentro dos nossos lares em forma de novela, mais uma indigesta novela cujo mau gosto em nada contribui para a melhoria da nossa sociedade, mas que, pelo aumento da audiência, alavanca a venda de sabão, shampoo, perfumes, carros… e também faz crescer o bolo do lucro dos inescrupulosos, que, no fundo, é apenas o que lhes importa.

Gostou deste post ? Aproveite e assine meu feed-RSS, e acompanhe todas as novidades !!

Brasil x Chile

Como a Copa do Mundo de Futebol ainda é assunto em pauta, peço e licença e aproveito esses momentos que antecedem a partida Brasil x Chile, que estão dizendo por ai que vai ser uma barbada, e que eu não concordo pelo mesmo motivo de outro dia: “o Brasil joga para não perder e o Chile joga para ganhar”. Jogar contra quem joga querendo jogo e, principalmente, contra quem quer sair vitorioso, é difícil e requer cautela e respeito.

Cautela Dunga tem até demais, tanto que não arma a nossa seleção para jogar daquele jeito bonito que gostamos e que é digno de quem já foi campeão por cinco vezes – no time dele, se alguém faz um drible e parte pra cima do adversário perde o lugar. Quanto ao respeito é o seguinte: dizem que cautela, respeito e caldo de galinha não faz mal a ninguém. Cuidado, gente. Temos condições de impor uma considerável vitória sobre o Chile na tarde de hoje, no entanto, é bom lembrar que o nosso adversário é uma das seleções que mais tem encantado o mundo neste mundial pelo seu jeito aberto, bonito e atrevido de encarar todos os jogos – pode até perder, mas parte pra cima. E os nossos, como vão suportar a pressão?
Daqui a pouco a gente fica sabendo.

Gostou deste post ? Aproveite e assine meu feed-RSS, e acompanhe todas as novidades !!


 Página 1 of 14  1  2  3  4  5 » ...  Última » 

Postagens antigas »